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O Boletim Diário
começou há cerca de 20 anos, quando muitos pescadores ligavam
para o escritório da Plataforma em Porto Alegre,para saberem as condições
do mar. Naquela época não havia telefone no Píer. E, os
telefones em Cidreira se localizavam somente na área Central da Praia,
sendo que os mesmos não eram automáticos, e sim via telefonista.
A Plataforma comprou então
um telefone, sendo o mesmo instalado, no Centro na Rua Mostardeiro, na casa
do Sr. Raul Luiz Fernandes,onde hoje funciona a Loja de Pesca
A Pioneira, de sua propriedade. E, de lá diariamente, ele ia até
o mar e coletava informações. Para depois ele ou sua esposa Sra.
Vera nos transmitir as condições do tempo e do mar. No escritório
em Porto Alegre essas informações eram datilografadas (datilografadas
mesmo) num formulário que com o tempo foi batizado de BOLETIM.
Esse boletim era feito em varias copias de carbono, ficando uma copia na recepção
e outras na direção e na sala dos vendedores, para que todos pudessem
dar as informações às dezenas de pescadores que ligavam
diariamente, principalmente, lá pelas 18 horas, normalmente congestionando
todas as nossas linhas.
O numero desse telefone
instalado na casa do Sr. Raul, também era fornecido aos pescadores ,que
quisessem falar com eles pessoalmente sobre o tempo em Cidreira ,principalmente
aos fins de semana ,quando não havia expediente em Porto Alegre .
Anos depois a Plataforma fez um grande investimento na compra de cabos telefônicos,
equipamentos, e em alguns locais até mesmo de postes para estender quase
10 quilômetros de linha até a Plataforma .Pois naquela época
A CRT só ligava telefone se o cliente custeasse, e depois doasse a companhia
telefônica. Saiu muito caro, quase o valor de um carro, se ter afinal
uma
linha, que tinha um aparelho sem discar, apenas com um botão que era
acionado através de uma enorme bateria, para chamar a telefonista, lá
no Centro, e esta completar a ligação.
Foi com grande alegria que
começamos a receber os boletins diretamente do Píer. E agora com
a grande novidade, que podíamos também informar, que peixes estavam
saindo. Os pescadores também poderiam ligar para o píer 24 horas
por dia para saber informações, bem como mandarem recados aos
pescadores que lá estavam na Plataforma.
Um dia alguém teve a idéia de não só dizer os peixes,
que estavam dando bem como quem os pescou. Pois naquela época a Plataforma
era bem pequena e da Portaria podia se ver quem estava pescando, e que peixe
estava dando. O pessoal da Portaria praticamente sabia o nome de todos os pescadores.
Naquela época muitos
pescadores iam, uns às vezes
diariamente, no escritório da Plataforma em Porto Alegre só para
ler o Boletim,as levando copia do mesmo para casa.
Quando a Plataforma começou
a ter um grande
tamanho. Começou a ficar difícil conhecer todos os pescadores
e saber quais os peixes que eles pescavam. Então
espontaneamente, alguns pescadores começaram a registrar no livro de
entrada os peixes que pescavam. De lá para cá as informações
do boletim referente a peixes, deixaram de ser informativas e passaram a ser
meramente ilustrativas, devendo as mesmas ser interpretadas apenas como referencias,
levando-se sempre em consideração, quem faz o registro, e antes
de tudo sempre ter em mente que o boletim retrata o passado ,e que no momento
de sua publicação ,certamente as condições do mar
poderão estar completamente diferentes .Assim o boletim deve ser tratado
como um relato do passado (algo como eu estive lá neste dia e pesquei)
É como um memorial histórico e nunca como uma ferramenta para
ser usada para motivar o deslocamento precipitado para o mar baseado em suas
informações, às vezes até exageradas de pescadores
emocionados.
Sempre houve um pequeno
numero de pessoas que registram os seus peixes. A maioria não registra.
E se essa maioria estiver na Plataforma quando encosta um grande cardume, certamente
não haverá registros. Recentemente, por exemplo, houve uma corrida
de mais de 2000 pampos enormes num só dia, e sequer um registro foi feito.
Com o advento do Fax,muitos
pescadores solicitavam para receber no escritório ou em casa uma copia
do boletim. Havendo casos de pescadores que faziam praticamente uma "assinatura''
recebendo assim diariamente.
Em 1996 A Plataforma criou sua pagina na Internet ,e nela começou a publicar
diariamente o Boletim. Em 1998
Foi implantada uma estatística onde o pescador pode cruzar vários
dados e fazer seus estudos referente à possibilidade de pesca em relação
à temperatura do ar e da água, lua ,nível do
mar ,época do ano,correnteza,direção do vento,cor da água.
Por exemplo: No Inverno quando a temperatura da água ronda os 15 graus
certamente, há grandes chances de papa-terras.
Hoje ainda recebemos alguns telefonemas, mas com o advento do celular e de outros
meios. Essa informação é apenas complementar, e é
claro não muito exata. A maioria dos pescadores tem suas "FONTES"
particulares.
A Plataforma mantém o Boletim mais por saudosismo...
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